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Lamentável o dia 20 de novembro [Dia Nacional da Consciência Negra] em Alagoas!


Como se não bastasse a mudança do feriado, decretada pelo governador, em função de melhor organizar o calendário, aproveitar mais o final de semana ou coisa parecida, foi lamentável assistir a homenagem que o estado fez a Zumbi - e a todos os heróis da resistência - na Serra da Barriga. 
A chegada na cidade de União dos Palmares já me deixou triste e um tanto desconsolada. 
 O comércio aberto, as pessoas caminhando pela rua como se fosse apenas mais um dia de idas e vindas. Ainda guardo na memória as lembranças vivas do ano passado [infelizmente nunca subi a Serra no dia 20 em outros anos, pois sempre estive envolvida em outras atividades fora do estado]. Ser recepcionada por cores, sons, vozes, uma grande circulação de pessoas preparadas para subir a serra, fazer seus ritos sagrados e homenagens ao povo negro.
 Ou ainda agradecer a presença da África na constituição de nosso país, de nossa história, da fé que alimenta milhares brasileiros.
Foi assim o ano passado! A Serra da Barriga me parecia pequena para receber tanta gente. E tinha roda de capoeira espalhadas por todo o terreiro, tinha grupos de dança, afoxé, maracatu, reggue, maculelê, artesões, vi até um lindo reisado que veio de Viçosa para prestar suas homenagens ao dia. Foi um dia de festa e resistência.
Em 2012, o cenário estava tenso. A presença ostensiva da polícia e sua tropa de elite para proteger as figuras ilustres do dia: ministros, secretários, representantes do governo. Acho que a troca do feriado foi apenas para satisfazer a agenda de uma ou outra “figura ilustre”. E os tributos não pararam por ai. Enquanto os religiosos prestavam suas homenagens a todos os lutadores, aos negros e negras mortos nas batalhas contra os senhores de engenho, a tropa de elite e a força nacional encampavam suas armas atirando para o alto.
Difícil ver esta cena. Tentei não acompanhar tudo que tava acontecendo, mas os tiros continuaram. Cortejo para Zumbi com uma salva de tiros é no mínimo contraditório. Revivemos a invasão ao Quilombo dos Palmares. 
Os tiros abriram caminho para a passagem dos ilustres, que com o cessar fogo, subiram ao palco. E lá se foi horas e horas de discursos vazios, promessas, falas totalmente descontextualizadas, entretanto bastante pretensiosas: a reforma do parque que começa nesta segunda-feira, teve até promessa de centenas de filtros para água nas comunidades vizinhas e outras tantas bobagens, cinismo, hipocrisia...
Mas, meu olhar descontente também capturou alegrias. Enquanto o palco central estava ocupado pelo Estado e seus representantes, se espalhava pelo terreiro dezenas de grupos de capoeira, visitantes, religiosos, o pessoal dos movimentos sociais e grupos culturais.
 Foi lindo ver que quase ninguém parou para ver o que estava acontecendo no palanque. Num protesto silencioso as pessoas se espalharam pela Serra buscando outros encontros e outras conversas.
Desfeita a solenidade [ou melhor, toda a palhaçada], voltamos todos a ocupar o centro da Serra, a aplaudir o trabalho dos grupos. Quando o Malungos do Ilê subiu, levantou a poeira e me trouxe a sensação de que enfim, eu tinha chegado na Serra da Barriga!
O dia foi longo, intenso e cansativo. Mas, valeu a pena ter subido a Serra, marcar um dia tão importante no nosso calendário, reconhecer a força e a resistência de todos que viveram e lutaram no Quilombo dos Palmares.
Os gritos de resistência ainda reverberam, então que possamos dizer não ao preconceito, ao racismo e a toda forma de injustiça.
 Por: Renata Guerda

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